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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

NILSE BERNAL S.FRAGOSO -TEMPO E VIDA

TEMPO E VIDA

Tempo desalento,
Tempo curador,
Tempo predador,
Tempo de ois e despedidas,
Feridas.
Tempo de ontem, hoje, amanhã, Tempestade que vem e vai
Pai, avô, bisavô e pó.
Cruel e devastador,
Ensina a dor, a paciência e o amor.
Mudanças, cansaço, enfado.
Tempo bom e ruim,
O trem veloz que viajamos,
A esperança que revira,
Entre o passado e o fim.
Tempo, tempo, tempo,
Frio e quente,
Que voa,
E ao mesmo tempo,

É Implacável e escorregadio.

de Nilse Bernal S. Fragoso

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Tatiana Rostaiser Petti - Aepti - 20 anos

Título: Aepti - 20 anos

Incentivo é o sobrenome da Aepti.

Foi através dele que me envolvi,
Foi através dele que me envolveram.

Incentivo a escrever,
A compartilhar,
A encantar com palavras.

Incentivo a mostrar a produção
E continuar produzindo
Sem amarras.

Assim como, de grão em grão,
A galinha enche o papo,
A cada texto e a cada pintura,
Os participantes engrandecem o ato
De mostrar à sociedade
Quem somos de fato.

Trabalho de formiguinha
Com voluntários munidos de amor
Deixando isso transparecer
Nas edições lançadas com louvor.

Envolver crianças neste meio
Torna-se essencial
Pois, assim como jovens e adultos,
Produzem um pensamento especial.

Não citar Maria Inês
Neste momento, é impossível.
Sempre doce e amiga,
Uma incentivadora imprescindível.

Continuando o legado de Andrei,
Hoje, por ela, lutamos pela Aepti.
E faremos com que esta Associação
Tenha sempre bons frutos e os celebre.

Por isso, a todo tempo,
Sem cessar,
A cultura, continuamente,
Vamos incentivar.

Salve a Aepti!

quarta-feira, 19 de julho de 2017

ROSA-MARIA F. SANGIORGI - FÉRIAS

FÉRIAS
                                   Rosa-Maria F. Sangiorgi
                                           Julho/2017

Eu queria tirar férias da lembrança
do riso e da alegria de criança,
Da criança que, sem querer, cresceu
E da qual só ficou a esperança...

Tirar férias daquela adolescência
Em que tudo eram flores especiais
Mas que, sem perceber, com muitos ais
O tempo foi deixado para trás...

Tirar férias da minha juventude
Em que o amor ardente me enlaçou
Mas que o tempo cruel e sem querer
Voando como o vento, o apagou...

Fazem-me tirar férias na velhice
Pois igual à minha meninice
Inda cometo enganos todo dia...
Mas férias como esta...eu não queria!

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Rosa- Maria F. Sangiorgi - VINTE ANOS DE AEPTI

                     

Participem! Venham todos!
É um concurso literário!

Passados alguns dias
E atendendo ao chamado,
os escritores surgiram
esquecendo a timidez
(Será que posso ganhar?)

Apuração. Que aflição!
Os nomes foram citados
Com ênfase e emoção

Daí a ideia brilhante
Daquele participante
Conhecido por Tom Jois,
Propôs que fosse fundada
Uma associação de cultura

A maioria aplaudiu
Com muita satisfação
O que então se batizou:
AEPTI
- a semente foi lançada.

Embora a terra fosse fértil
Às vezes se ressequia
Mas a valente nascida
Dificuldades vencia!

20 anos se passaram
De muito trabalho e luta
Sem nunca esmorecer...
E hoje aqui estamos
Ufanos e entusiasmados
Festejando alegremente
Mais um aniversário

Escritores e poetas,
pintores e contistas
E até mesmo trovadores
Artesanto  e pintura
Em reuniões e palestras, todos nós somos artistas desta nossa AEPTI. Viva!


*Anúncio do JI – 27 de maio de 2017

sábado, 16 de abril de 2016

MACAQUINHO MENTIROSO


Macaquinho mentiroso,
Gosta muito de mentir,
Inventa sempre estórias,
Só pra poder se divertir

 Esse macaquinho manhoso,
Acha-se o maioral
Espalhando mil boatos,
Provocando temporal

Macaquinho mentiroso,
Gosta muito de inventar,
Está sempre ansioso,
Para muito aprontar

Como se acha esperto,
Não tem medo de tramar,
Mas se for descoberto...
Macaquinho vai dançar

Quanto mais tem falsa estória,
Mais lorota quer contar,
Ficou tão acostumado,
Não consegue mais parar

Esse gosto pela mentira,
Tirou a verdade do lugar,
Cuidado macaquinho!
Você vai se machucar

Macaquinho, Macaquinho,
Vê se pára de mentir,
Qualquer dia a verdade,
Todos podem descobrir

Mas que coisa absurda,
Macaquinho sempre faz,
Fala mal de todo mundo,
Fingindo ser um bom rapaz

Ele sempre dá risada,
Quando arranja confusão,
Confunde toda a bicharada,
Com arruaças de montão

Coitado do macaquinho!
Pensa que é o tal,
Mas seus dias de mentira,
Estão chegando ao final

Macaquinho vai cair do galho,
E não vai se levantar
Ao invés de dar risada,
Macaquinho vai chorar

Quem faz muita bobagem,
Um dia vai se complicar,
É melhor mudar, bem rápido,
Para não se encrencar

Macaquinhos inteligentes,
Nunca agem igual,
Pois quem engana e mente,
Sempre acaba muito mal

Macaquinhos que são tolos,
Caiam logo na real,
Para não passar vexame,
E perder toda moral

Toda criatura da floresta,
Pense antes de agir,
Nunca é bom jogar conversa,
Fazer maldades e mentir

NILSE BERNAL DE SOUZA FRAGOSO


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

SUBJETIVIDADE DA ALEGRIA - NILSE BERNAL

Alegria que vem para outrem,
Porém, não te enleva também,
Gol contra?

Euforia sem juízo,
Que não traz o bem,
Prejuízo.

Alegrias de alguns, tristezas de outros.

Alegra repartida - vida.

Momentos de alegria - venham,
Sejam selados na memória,
Em lembranças constantes.

Sejam mais importantes que a dor.

Descanse teus desalentos,
Na alegria da paz,
Sentindo alegria compraz,
Que não é tua, não te pertence.

Ainda que esse contentamento,
Seja no exato momento,
Do teu próprio dissabor.

Alegria compartilhada, sede do amor.


NILSE BERNAL DE SOUZA FRAGOSO

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

UM AMOR ENRAIZADO - JOEL GARCIA DA COSTA

UM AMOR ENRAIZADO




Estava sonhando acordado
Que era seu namorado
Que contigo tinha casado
Que por você eu era amado

Mas acordei na vã lembrança
Eu já não era mais criança
Nem por isso perco a esperança
É sonho de quem ao amor se lança

Vou arriscar correr perigo
Mas lhe quero aqui comigo
Eu não sou nenhum bandido
Mas se precisar por você eu brigo

Vou lhe ver lá no trabalho
Sou um reles funcionário
Mas com aparência de bancário
Que dá um jeito com um salário

Quero ainda ganhar muito dinheiro
E lhe comprar o mundo inteiro
Mesmo sem ser o primeiro
A lhe propor o amor verdadeiro

Sei que você já me notou
Naquele dia em que passou
Tão perto que seu cheiro ficou
Preso ao ar que me cercou

Neste dia eu suei frio
Pois me tirou de um vazio
Queria saber se algo sentiu
Pela expressão que em mim viu

Mas se algo sentiu, disfarçou
Mas lhe aborrecer com isso não vou
Um cavalheiro ainda eu sou
Na hora certa um passo eu dou

Vamos começar na amizade
Como amigos de verdade
Se presenteando com a sinceridade
Deixando de lado qualquer maldade

Então quando me conhecer
E ver que homem eu posso ser
Quem sabe possa em você nascer
Um sentimento que não se pode conter

Já que na amizade existe amor
Quando ela é bela tal uma flor
Se ela auxilia no combate à dor
E ajuda a esquecer qualquer rancor

Até por que se não for assim
Pode não dar certo, é fácil um fim
E aí o que será de mim
Plantado só em um jardim

Pois a relação para não acabar
Precisa do respeito dos dois contar
Já que o tempo não vai parar
E as lutas não vêm só em dia par

Mas creio que já sonhei bastante
Vou arriscar neste horizonte
Não quero que ninguém lhe conte
Sobre este amor que é gigante

Vou procurar hoje lhe ver sozinha
E pedir que sua amizade seja minha
Espero que não sinta uma atitude mesquinha
De alguém que só quer algo a noitinha

Pois se achar que sou assim tão baixo
Vai me deixar bem cabisbaixo
Se no primeiro passo eu não me encaixo
Quem dera os outros que seguem abaixo

Mas se tudo correr certo entre nós
Poderemos trocar confidências a sós
Numa amizade que cresce veloz
Acabaremos tendo uma só voz

Talvez eu venha a descobrir
Que para outro amor já está a sorrir
No qual eu não possa interferir
Nem que eu queira, para não lhe ferir

Nem por isso eu iria erguer minha vela
E navegar para longe dela
Pois isso de um amigo não se espera
Prefiro a dor ao fim desta nossa primavera

E vai que ela não é correspondida
Posso ajudar a curar a ferida
E plantar um amor na sua vida
Ser mais que um apoio na subida

Mas creio que ela não ame ninguém
Quem sabe até me ame também
Seria um sonho deste alguém
Convertido em alegria que muitos têm

Mas assim soaria muito falso
Temos que passar por um percalço
E desvencilhar todo e qualquer laço
Que se formar em nosso regaço

Assim faríamos brotar algo mais
Do que paixão que vem e vai
Somente um amor enraizado não se desfaz
Quando uma turbulência atinge os casais

E sendo assim pode ser para sempre
Teríamos um ao outro tal um presente
Inquebrável seria esse pingente
Constituído de amor preso por corrente

Mas mesmo que este sonho acabe em nada
Vou vê-la sempre como minha amada
Pois o que eu sinto cresce a cada enseada
Que percorre minha mente alada

Mas se deparar-me comigo feliz
Pode estar certo que não foi por um triz
Acertei no alvo e me fiz raiz
Preso no caule de alguém que me quis


Joel Garcia da Costa

terça-feira, 24 de novembro de 2015

SAUDADES - CESAR CHIARINI

SAUDADES




A pesar de tão presente já é passado
Trazendo saudade de um tempo que já ficou
Prezo na memoria de quem muito concentrado
Um dia já Ficou.

Obrigado pela oportunidade
De um dia ter incorporado um pintor
Que levara para eternidade
A chance de ter pintado uma flor.


Cesar Chiarini

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

NÃO APRENDI - M.J.F.N

NÃO APRENDI
  

Foi tanto tempo de saudade
Que hoje já nem seis mais!
A imagem em meu pensamento
Agora em fumaça se desfaz.

Tento lembrar e não consigo
Daquele rosto tão amado.
O tempo ofusca as lembranças.
Só ficam contornos mal traçados.

Tinha uma pureza infinita
Aquele amor tão profundo,
Que quando ele me olhava
Sentia-me em outro mundo!
Seguimos caminhos diferentes;
O destino assim determinou.
O vazio que ficou foi tão grande
Que meu coração não se recuperou.

Saudade, sentimento abstrato
Que não tem explicação;
Quem sente sabe que é de fato
A dor que machuca o coração.

Dizem que o tempo é o melhor remédio
Mas não curou meu padecer.
Ele me ensinou a amar
Mas não me ensinou a esquecer!



M.J.F.N

E O TEMPO LEVOU... SAUDADES... - AMÉLIA LUZ




E O TEMPO LEVOU... SAUDADES...
         

         Os anos da mocidade
         escorregaram pelos meus dedos
         sem que eu me desse conta,
         sem que eu percebesse!
         Ah! Quem dera poder voltar...
         Usar mis-en-plis, laquê,
         Cabelos armados em torre
         Como a bela Tereza Goulart
         Vestir minissaia à Mary Quant,
         Exibir meu ban-lon cor pastel
         e saia de tergal plissada!
         Usar perfume "Ma Griffe",
         Ir aos bailinhos toda assanhada
         dançar rock’n’rool ou twist
         assistir aos filmes românticos
         da Paramount ou da Metro Goldwin Mayer
         chorar com Sissi ou La Violetera...
         Vestir o uniforme azul-marinho
         frequentar a escola com vontade
         na verdade aprender Português, Literatura,
         Latim, Francês, Inglês com desenvoltura,
         História da América, História Geral,
         Ou História do Brasil, Geografia,
         Viajando em boa companhia
         Dedicar à Religião, tendo bons costumes como tradição...         
         Matemática, Geometria, com exatidão
         Nada de levar tudo na contramão!
         Fazer Trabalhos Manuais para nota
         estudar solfejando Canto Orfeônico
         cantar no coral com boca redonda
         tirando sempre muita onda!
         Pudesse eu voltar no tempo
         olhar no espelho da vida
         ver de novo meu rosto jovem
         pronto para a caminhada!
         Recitaria uma trova
         do J. G. de Araújo Jorge,
         cantaria "Banho de Lua"
         ouviria o Sole Mio do Elvis
         andaria solta de Lambretta
         tomaria uma dose de Cuba Libre
         ou fumaria de mentirinha um Continental,
         só de fachada, para parecer legal!
         Acompanharia o caso de Aída Curi,
         odiaria o Ronaldo Guilherme
         mas suspiraria por James Dean
         em "Assim Caminha a Humanidade"!
         Admiraria a família Kennedy
         imitaria a elegante Jacqueline
         pintaria a boca de batom Helena Rubststein,
         escreveria meu nome na calçada da fama
         como Marilyn Monroe e Brigitte Bardot.
         Ah, se eu pudesse dançar a Valsa das Debutantes
         vestida de laise ou organdi suíço
         no baile inesquecível que marcou tantas vidas...
         Perderia meu sapatinho de cristal
         esperaria pelo verdadeiro príncipe encantado,
         entraria virgem na Igreja vestida de noiva,
         passaria a lua-de-mel no Guarujá,
         com um duas-peças à Leila Diniz!
         Vestiria um modelito do Denner,
         só para fazer inveja na Maria Stela Splendore!
         Candidatar-me-ia no Concurso de Miss Brasil
         e sem duas polegadas a mais
         daria um viva aos Anos Dourados
         sairia de Bel Air com Juscelino e Dona Sara
         para conhecer Brasília, a novacap
        fincada no Planalto Central
         fazendo um sucesso descomunal...
         Colocaria um hi-fi da Dolores Duran
         ou da Matarazzo. Ah, “Se meu mundo caiu”,
         que pena, “foi um tempo que passou”...
         E... “A noite do meu bem,”

         a modernidade impiedosa, engoliu!


Amélia Luz

PARA TODOS OS TIPOS DE SAUDADES - JOEL GARCIA DA COSTA

PARA TODOS OS TIPOS DE SAUDADES


Existem diversas formas de saudade
E todas elas geralmente doem

Se for do amor que ainda é seu
Tem que buscá-lo
Se for do amor que se foi
Tem que reconquistá-lo

Se for de um amigo que está longe
Tem que buscá-lo
Se for de um amigo já não tão amigo
Tem que reconquistá-lo

Se for de um parente que está longe
Tem que buscá-lo
Se for de um parente não muito querido
Tem que reconquistá-lo

Se for de alguém que está longe
Seja quem for
Tem que buscá-lo
Se for de alguém que já se foi
Tem que relembrá-lo em seu coração

Saudade existe porque um dia existiu amor
Então não se preocupe

Pois o amor muitas vezes é para sempre


Joel Garcia da Costa

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

FALSAS ESPERANÇAS - NEI CREVILARE

FALSAS ESPERANÇAS


Não me dê falsas esperanças
Num dia lindo de verão
Ou me encontrará feito criança
Caminhando sem direção

Não me dê falsas esperanças
Neste dia de meia estação
Ou verão que venho vazio
Com um copo de vinho na mão

Prefiro um invernal não
Definitivo sem esperança
A ficar estático a cada estação

Mesmo sabendo que então
Não haverá mudanças
Sem primavera em meu coração


Nei Crevilare

terça-feira, 27 de outubro de 2015

POEMA DE LAMA - NILSE BERNAL S. FRAGOSO

POEMA DE LAMA


Crianças pés descalços,
Sem compreensão, pés nus no chão,
Cuidado com as farpas!

Crianças recalcadas, pisam calçadas de concreto,
Sonambulas e desoladas,
Vagueiam em ruas desniveladas,

Crianças que flutuam nos morros,
Subindo e descendo em fogo aberto.
Correm rodeadas de cadeias, sem entender o correto.

Crianças abortadas pela cor, pela desigualdade, pelo não saber da humanidade.

Crianças sem pais, sem paz, sem país.
Alvejadas, afogadas, fugindo de guerras,
E do fim incerto, que nunca acaba.

Realidade macabra, sem propósito,
Terreno inóspito, que derrama lama,
E escandaliza quem tem dó, medo,
Mas não reclama.


Nilse Bernal S. Fragoso

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

MUDANÇAS - NEIDE MARIA GOTARDO NALLIN

MUDANÇAS


Comparo minha infância e a ânsia de crescer.
Pés descalços num chão que hoje não é o mesmo.
É mais frio, ladrilhado, esquecido
das crianças no pula corda, no esconde-esconde.
Onde estão as crianças que fomos?
Não há resposta. Pela vida passamos.
Não fomos. Éramos.
Outros pés, outras mãos, outros sonhos.
Tudo mudou. As crianças,
a rua, o chão de terra, as esperanças.
Eu mudei. Minha pele, minha memória.
No meu rosto não resta nem a máscara do passado,
apressado e corriqueiro como a água que passa pelo rio.
Há substituição na maneira de ver a vida,
só preocupação em mostrar identidade.
Construir, possuir, a todo custo.
Esquecer a fidelidade na pressa de viver.
A falsa idoneidade não deixa liberdade.
A vida se esvai como relâmpago que corta a tempestade.
O esqueleto não se sente tão firme,
Sente falta de correr pelos campos de braços abertos,
Pisando a relva úmida, imitando o voo dos pássaros.

Olho para trás e vejo o quanto mudamos.


Neide Maria Gotardo Nallin

O VOVÔ E O NETO - NEIDE MARIA GOTARDO NALLIN

O VOVÔ E O NETO
      
                    
O neto chega para o avô e diz:
- Vovô vamos brincar?
O avô cansado e infeliz
Responde  que quer descançar.

- Ah! Vovô se brincar, vou ficar contente!
Suas brincadeiras são tão boas!
- Meu neto hoje não. Estou doente!
Cansado e triste. Quero ficar à toa.

- Vovô não estou entendendo,
Você sempre foi legal!
O quê está lhe acontecendo?
Para estar assim tão mal?

- O que tenho é muita idade.
Sinto-me tão envelhecido.
Nada me traz felicidade,
Nem sua presença, querido.

- Vovô deita no meu colo sua cabeça.
Faço com amor muito carinho,
Pra que o cansaço desapareça
E possa sarar rapidinho.

- Vovô, tenho a solução para esta velhice
Por isso não  perca  a esperança,
Pois quando você brinca comigo,

Vira outra vez criança.


Neide Maria Gotardo Nallin

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

OLHAR DE CRIANÇA - NILSE BERNAL S. FRAGOSO

OLHAR DE CRIANÇA

Criança que me olha, lá de onde eu já fui.
Aprendiz da vida, solta desprendida,
Busca  na estante da memória,
A pureza e a simplicidade de ser feliz.

Essa criança vive entre recortes do passado,
Viajando, constantemente, no presente,
Com saudades de tanta banalidade alegre, nada exigente.

Com desejo de rever tanta gente, que hoje nunca mais.
Anela aquele abraço confortável da inocência,
Contudo, não se ilude com o tempo,
Intrigada desperta,
Navega consciente, na verdade do jamais.


Nilse Bernal S. Fragoso

terça-feira, 13 de outubro de 2015

LÁ VAI A MENINA - JOEL GARCIA DA COSTA

LÁ VAI A MENINA


Lá vai a menina passeando no shopping
Exigindo celular e brinquedo importado
Levará barbies rosa e Kens de smoking
Entre artigos de luxo dos mais variados

Lá vai a menina de conversível na rodovia
Perguntando se pode escolher um pingente
A mãe concorda, mas limita uma quantia
E arranca da filha um olhar descontente

Lá vai a menina na estação abarrotada
Agarrada à sua mãe para não se perder
Pediu uma boneca que dê gargalhada
A mãe nada prometeu, na feira iriam ver

Lá vai a menina de volta para o barraco
Para brincar com o irmãozinho de dominó
Desenhado e recortado de um papel opaco
Com o vestido azul comprado num brechó

Lá vai a menina cansada na beira da estrada
De mãos dadas com a mãe no longo caminho
Vai contando os passos de mais uma jornada
Sonhando brincar com sua boneca de milho

Lá vai a menina com um triste olhar perdido
Sob o sol chamejante limpa a sua face suada
Não sonha com nada, nem sabe o que é isso
Pois se agarra com força ao cabo da enxada

Lá vai a menina dona de um olhar inocente
Tem mais sorte que as outras, assim imagina
Pois no céu onde vive todo o dia é um presente

Ao confortar os corações dessas outras meninas...


Joel Garcia da Costa

terça-feira, 22 de setembro de 2015

PRIMAVERA - NILSE BERNAL S. FRAGOSO

PRIMAVERA


No meu coração espero por ti,
Por tua beleza, tua inspiração.
Olho em volta, abro portas e janelas,
Ainda não te vejo,
Mas, te aguardo, te almejo.

És paisagem para telas de artistas,
Desenhos de diversidades que explodem,
O despertar dos poemas e dos poetas,
Show de folhagens, formas e cores,
Traços e detalhes inumeráveis.

Folhas mais verdes também te desejam, 
Pelas manhas gotas de orvalho,
Tentam se segurar no teu frescor.

Do lado de fora, agora mais perto,
Já sinto tua presença bem-vinda,
Nos aromas de lindas flores,
No desabrochar da tua contemplação,
A maravilha da natureza renovada,
Anunciam vivificante sua volta,

Ei-la, se espalhando nos quintais, bosques e jardins,
Acordando emoções dessa espera.
Feliz e radiante me enlaço em tuas múltiplas faces e venturas,
Chegou enfim a primavera.


Nilse Bernal S. Fragoso